TURISMO, VIOLÊNCIA E IMAGEM
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Por duas vezes, eu publiquei em minha página particular do Facebook posts que tentavam sensibilizar as pessoas do meu círculo de influência para a crescente escalada da violência em Pernambuco, comparando o número de mortos por assassinato com as vítimas da queda de aviões, um tipo de tragédia que provoca muito mais comoção e repercussão na sociedade do que os “gatos pingados” cotidianos das sangrentas páginas policiais.
O Jornal do Commércio postou hoje (03/01/2017), em sua página na rede social Instagram, que, em 2016, foram registrados 4.380 assassinatos em Pernambuco, um número recorde e superior aos 4.018 de 2015. Comparando novamente esse número com a queda de aviões, é como se um Boeing 777-300, com capacidade para 379 passageiros, caísse aqui na “Terra dos altos coqueiros” todo santo mês. Seja no cenário real ou no comparativo, isso é assustador. Essa triste realidade é também refletida no turismo.
A Pesquisa do Perfil da Demanda Turística Internacional (2011-2015), do Ministério do Turismo (MTur), traz vários aspectos da nossa realidade turística, como: os mercadológicos, os estruturais, os socioeconômicos e os de satisfação com a viagem. Nesse último capítulo está a avaliação sobre a segurança pública.
Aqueles índices do MTur refletem a opinião do turista estrangeiro sobre nosso país como um todo, mas, também, retrata a realidade de 21 destinos turísticos nacionais.
Particularmente para o Recife, no aspecto segurança pública, a nota em 2015 foi de 59,7, enquanto que a nacional ficou em 82,2. Na média dos últimos cinco anos (2011-2015), a nota da capital pernambucana não passou dos 64,9. Ou seja, se a média para ser aprovado em um exame escolar for 70,0, o estado estaria reprovado. Mas não é só na segurança, “levamos pau” na avaliação dos turistas em mais 5 itens: limpeza urbana (49,5), transporte público (49,1), telecomunicações (59,3), rodovias (44,0) e claro, o preço (65,0) que lhes é cobrado por tanto descontentamento.
A situação da segurança pública é ainda mais grave se comparada com a nota de 2014 (76,0). A capital pernambucana caiu no conceito do visitante em -21,4%. Traduzindo, diante desses números podemos assumir que a sensação de insegurança é sentida também pelos turistas estrangeiros.
A diferença é que, enquanto a maioria expressiva da população pernambucana, inclusive as autoridades, posiciona-se indiferente à catástrofe cotidiana dos assassinatos ocorridos no estado, os turistas formam sua opinião sobre o destino Recife, portão de entrada para nossos atrativos, deixando de fazer um dos meios de marketing mais baratos: o boca a boca.
Lembrando que, em se tratando do quesito imagem, quando a experiência é positiva a opinião é difundida nos círculos de influência e se transformam em mais viagens, que por sua vez traz mais desenvolvimento, postos de trabalho e renda para o povo de Pernambuco, sem falar do consequente reflexo no acréscimo da arrecadação de impostos, tão escassos nesses tempos difíceis. Investir em segurança pública é um ótimo negócio, só pra começar. Depois cuida-se da melhoria dos outros indicadores.
#ficaadica.
PEDRO ANÍBAL DE BRITO
Mestre em Turismo (UFRN) / MBA Executivo em Marketing (UFPE) / Turismólogo (UNINASSAU).
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